Cálculos: Preenchendo o Quadro III, NR4

Entre as principais responsabilidades do técnico em segurança do trabalho (tst) está o preenchimento dos quadros III, IV, V e VI anexos da NR4, que devem ser encaminhados à Delegacia Regional do Trabalho até 31 de janeiro do ano seguinte.

Não é preciso dizer da importância dessa documentação e as conseqüências do seu atraso ou não envio.

É muito importante estar claro tanto o conceito do preenchimento dos quadros quanto a matemática envolvida no dados que ele pede.

Vamos abordar neste post como entender  os cálculos por trás dos dados que devem ser preenchidos no Quadro III, com algumas considerações a serem pensadas.

Quadro III – Acidentes com Vítimas

QIII

 A NBR 14280:2001  fixa os critérios  para registro, comunicação, estatística, investigação e análise.  Ela  é uma ótima aliada ao estudo do preenchimento deste quadro, pois fixa critérios para registro e análise, dentre outros, conceitos importantes para este tema.


Mas antes…

Precisamos reforçar algumas noções matemáticas para não errarmos nos cálculos e para isso vamos recorrer à Proporção, utilizando a idéia de função:

y = f(x)

 Essa é uma idéia bem simples: Se “x” aumenta ou diminui, então “y” também. Isso porque “y” está em função de “x”. Vejamos um exemplo.

Se todas as vezes que 1 trabalhador falta ao trabalho ele deixa de fazer 20 produtos, então:

20 = f(1)

Caso ele falte 2 dias então 40 produtos deixarão de ser produzidos, se faltar 3 então serão 60, e assim por diante…

Da mesma forma podemos usar esta idéia para calcular a perda de dias.

Por exemplo: Caso 3 trabalhadores produzam 60 produtos por dia e em determinado dia 2 faltaram teremos somente a metade da produção, ou seja  20 produtos.

É importante que se entenda que os números que vamos manipular tem relação de proporção entre eles, sempre que há uma variação em um haverá no outro.

Fica fácil lembrar se pensarmos no velocímetro dos carros, Km/h (quilômetros por hora). Se estamos em uma estrada a 120km/h em 1 hora iremos percorrer 120 quilômetros.

Lembre-se SEMPRE que na matemática é convencionado que multiplicações virão antes de soma, salvo se utilizar a ordem de operações, usando parênteses, por exemplo.


COLUNAS A SEREM PREENCHIDAS

 SETOR: Considerar cada setor da empresa, separadamente em um primeiro momento.

NÚMERO ABSOLUTO: Número total de acidentes com ou sem afastamentos. Exceto os de trajeto.

NÚMERO ABSOLUTO C/ AFASTAMENTO ≤15 DIAS: Acidentes com até 15 dias de afastamento.

NÚMERO ABSOLUTO C/ AFASTAMENTO >15 DIAS: Acidentes com mais de 15 dias de afastamento.

NÚMERO ABSOLUTO SEM AFASTAMENTO: Acidentes sem perda total de dias de trabalho.

NBR 14280:2001 no item 2.9.7  diz que não serão computados “…o dia do acidente e o dia da volta ao trabalho” então fica fácil perceber o número absoluto sem afastamento

ÍNDICE RELATIVO TOTAL DE EMPREGADOS:  O IRTE que será o resultado do número de absoluto de acidentes dividido pelo número de empregados e multiplicado por 100.

IRTE = (A/E)x100

A= Número absoluto de acidentes

E= Empregados (todos) do estabelecimento

100= Constante da fórmula

total Geral:  É importante notar que o total geral do estabelecimento, no Índice Relativo Total de Empregados, não será uma somatória dos resultados estabelecimento-a-estabelecimento. Mas é fácil calcular, vejamos

Setor1 ->   (A/E)x100

Setor2 ->  (A/E)x 100

Para calcular o total do estabelecimento iremos somar todos os fatores dos setores do estabelecimento, no caso do seto1 e setor2:

Setor1+2 = [(A+A)/(E+E)]x 100

O resultado será o IRTE geral, ou seja de todo o estabelecimento.

DIAS/HOMENS PERDIDOS: Resultado da perda de horas de trabalhado que cada homem acidentado dividido pelo número de horas correspondente à jornada de trabalho da empresa.

DHP = (DxJ)+(DxJ)…/J

D = dias perdidos

J = Jornada em horas

NOTA: Este item causa dúvidas por aparentemente a multiplicação da jornada pelos dias perdidos e logo depois a divisão pela jornada seria igual aos Dias (não havendo necessidade do calculo). PORÉM considere que as possibilidades de perdas parciais da jornada de trabalho, assim entenderemos melhor:

Temos 3 trabalhadores laborando numa jornada de 5 horas diárias.

3 x 5 =  15 horas diárias de força de trabalho.

ou

(1 x 5) + (1 x 5) + (1 x 5) = 15

Então 1 deles se acidenta e fica 1 dia afastado. Nossa produtividade é então reduzida, como podemos ver:

(3-1) x 5 = 10 horas

(1 x 5) + (1 x 5) + (0 x 5) =  10 horas.

Em outro acidente 2 trabalhadores se acidentam, porém 1 deles somente é afastado por 1 dia; o outro somente por 3 horas:

(1 x 5) + [1 x (5-3)] + (0 x 5) = 7 horas.

Veja que a perda de 2 horas da força de trabalho resultou numa diferença que deve ser considerada no calculo.

Desta forma, em um caso concreto multiplicaremos TODAS as perdas de força de trabalho separadamente, mesmo as parciais e dividiremos pela jornada normal.

Este item será utilizado como fator no calculo de gravidade dos acidentes.

TAXA DE FREQÜÊNCIA: Número de acidentes por milhão  de horas-homem de exposição ao risco.

TF =  Nºa x 1 000 000 /HHT

TF = Freqüência

Nºa = Número de acidentes

1 000 000 = constante da formula

Nota: Esta constante nós diz que a taxa de freqüência será em função de hum milhão de horas trabalhadas.

HHT = Horas de exposição ao risco por trabalhador.

Nota: HHT, horas homem trabalho será obtido pela multiplicação da jornada laboral diária pelo número de trabalhadores. Exemplo:

Temos 2 trabalhadores que cumprem uma jornada de 8 horas.

2 x  8 = 16 horas de exposição ao risco.

É muito importante que se observe a NBR14280 item 3.2 onde observamos que caso haja jornadas diferentes calcula-se os vários produtos:

Se 1 trabalhador tem jornada de 6 horas e outro de 8 horas então

(1 x 6) + (1 x 8) = 14 HHT

Total Geral: Para calcular a taxa de frequência utilizaremos um raciocínio semelhante ao IRTE, somando os fatores da fórmula, jamais a constante, e recalculando como total geral.

ÓBITOS: Número de vitimas fatais de acidentes

ÍNDICE DE AVALIAÇÃO DE GRAVIDADE:  Estataxa exprime a gravidade do acidente, para monitorar o grau de segurança do ambiente de trabalho.

IaG = DHP/Nºa

DHP = Dias Homem Perdidos

Nºa = Número de Acidentes

total Geral: Aqui calcularemos o total geral do estabelecimento do mesmo modo que calculamos do IRTE e TF.

IMPORTANTE: Na NBR 14280:2001 observamos uma formula diferente, que considera a gravidade do acidente em relação a um milhão de horas de exposição ao risco, item 3.6.2.

Por fim atente-se também para algumas  observações numéricas que facilitam os calculos como:

  • Utilizar 7,333 na jornada padrão;
  • Que os anos variam entre 300 e 309 dias úteis;
  • A importância nas casas centesimais nos resultados;
  • 10^6 = 1 000 000.

E sempre dissecar as fórmulas, para entender o que elas estão dizendo a nós, assim haverá maior facilidade na resolução dos casos concretos.

Espero que gostem,

Um Abraço.

TM

fontes: NR4, NBR14280, José da Cunha Tavares. Noções de Prevenção e Controle de Perdas em Segurança do Trabalho. 8ª edição, editora SENAC

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7 respostas

  1. José Anderson d. S. S. | Responder

    Gostei da explicações obrigado, vou estudar agora… :):) valeu :)

  2. precisamos ainda protocolar os dados estatísticos da NR 04 no DRT

  3. Estou com a mesma duvida do colega acima.

  4. Sim, é preciso protocolar os dados na DRT, o MTE os usa para sua base de estatísticas ! É importantíssimo que isso seja feito ATÉ 31 DE JANEIRO de todo ano.

    Um Abraço.

    Tyr

  5. e se o empregado ainda estiver afastado no momento em que a planilha for preenchida como vou calcular os dias perdidos em função do acidente?

  6. E o cálculo dos dias debitados?

    1. Pode ser conferido no nosso post sobre os quadros da NR4

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